segunda-feira, 3 de junho de 2013

Depressa



(levemente saído daqui)

Você diz para eu ir depressa, parar de te enrolar e tomar logo uma decisão. Parece até que você pensa que é fácil. “Anda, resolve de uma vez se quer ficar ou ir embora.” Como se a responsabilidade fosse pequena, como se mudar de ideia depois não fosse causar tanto estrago que eu teria que me esconder de tanta culpa. Eu já parti uns corações e só voltei a dormir tranquilo quando soube que estavam bem remendados. O meu mesmo tem tanto remendo que bate meio torto, por isso eu fico na minha e espero até ver que a estrada é uma só. Eu prefiro te fazer mal com indecisão do que te machucar de verdade depois. E se falta prova do quanto eu gosto de você, taí.

Enquanto isso eu finjo que não sei que as respostas não estão todas no fundo dos copos e passo a noite de bar em bar pela cidade, falando com gente tão desinteressante que chega a ser seguro. Essa tranquilidade de não sentir nada. Então, quando estou à beira de apagar, você aparece e me abraça, e a gente se olha do jeito certo e por um momento eu tenho certeza de tudo, mas logo vem tanta dúvida e medo e se eu estiver errado como é que faz? Também me dói ficar assim, mas eu prefiro te deixar com sede a te dar veneno pra beber.

E você me busca com tanta vontade que eu fujo e me isolo do mundo, e sozinho é quando eu vejo o quanto eu preciso de nós. Mas é tanto fantasma nessa vida que a gente já não distingue romance de filme de terror.

Eu sei que vai ser bom e que qualquer outra coisa vai ser um enorme algo faltando. Eu sei que pode mudar tudo de uma hora pra outra e doer pra cacete, mas que agora vai doer mais se a gente não fizer o que tem que fazer. Ah, como eu sei! Mas não é me pressionando e pedindo pressa que eu vou baixar a guarda. E não é te ignorando e pedindo espaço que eu vou conseguir te explicar. Mas, por favor, põe essa faca no chão, que não é assim que a gente vai resolver as coisas.


Tyler Bazz

4 comentários:

littlemarininha disse...

Caramba, eu adorei! Adorei a música, a fluidez do texto e principalmente o final inesperado. Adoro surpresas que fecham o texto, principalmente quando não são forçadas.
Bom demais, Ty.

Amanda Tracera. disse...

(Estou indo contra a minha decisão incial de não comentar nada - numa tentativa de ser ainda mais dramática - porque, como se nem fosse costume:) o texto tá bom pra caralho.

Silvia disse...

Eu às vezes volto aqui só pra ler esse texto, não me leve a mal, os outros eu leio de vez em quando depois deste. Esse aqui eu leio sempre que dá saudade. Saudade maldita. Não deve nem saber esse texto já faz parte da minha vida. Obrigada.

Silvia disse...

Voltei de novo.
Talvez eu seja louca. Mas toda a vez que eu vejo que estou com uma armadura pedindo espaço, eu lembro dele e lembro da faca.