segunda-feira, 1 de abril de 2013

Lollapalooza Brasil, 2013




Para agradecer a Of Monsters and Men, Cake, The Killers, Two Door Cinema Club, Queens of The Stone Age, The Black Keys, Vivendo do Ócio, Foals, Vanguart e The Hives, pelos puta shows


Para agradecer ao Pearl Jam, por me fazer sentir tanta coisa e tocar os melhores shows da minha vida



Para agradecer ao Truzzi, à Máximo e a quem esteve lá comigo esses dias. Eu prefiro assim do que sozinho – juro


Por que a gente encara a chuva fria, o lamaçal, o cheiro de estrume, o sol quente, o aperto e as filas enormes? Por que a gente gasta, em três dias, mais do que gasta em aluguel, condomínio, luz e telefone juntos? Por que a gente sofre o empurra-empurra de uma hora para entrar no metrô já pensando em voltar no dia seguinte? Por que no último dia a gente vai embora especulando como será no ano que vem?

Porque arte. Porque música.

Quanto a gente não pagaria para ver Picasso pintando ali, na nossa frente? Ou para ficar em silêncio, só assistindo Hemingway bater teclas? Muito. Eu, pelo menos. Quanto você pagaria, mesmo sabendo que talvez seja um preço injusto, inchado pela produtora, para ver Fernanda Montenegro no palco?

Exatamente.

E um palco de show é uma via de duas mãos. Não é a mesma coisa se a banda só toca, eles têm que falar com a gente. E a gente responde, e não para de bater palma, gritar, dançar. A gente prefere assim. As bandas preferem assim, basta ver quantos sorrisos arrancamos delas nesses três dias.

Não tem preço que pague. Não tem barato melhor. Porque aquela sensação que você tem quando está ali, a coisa de metros d’a banda, quando ouve o comecinho de uma Given To Fly – e dezenas de outras músicas de dezenas de outras bandas– , é algo que não te abandona nunca. É algo que divide o mundo entre pessoas que viveram aquilo e pessoas que não viveram aquilo.

Não é só a adrenalina, a alegria de estar ali, a saudade antecipada e aquele pensamento longe que insiste em aparecer. É também o vazio estranho de não saber quando você vai se sentir tão bem outra vez.

Por isso, na segunda-feira, a gente abre o extrato bancário e começa a fazer contas, planejar economias. Não pensando em pagar as contas do mês, investir ou comprar o presente mais legal do mundo para a sobrinha. Mas pensando nas próximas horas que vamos passar esmagados, tomando chuva, perdendo a voz. Pensando nas melhores horas da vida.



Tyler Bazz

Um comentário:

Natalia Máximo disse...

Ou seja, mais um ano de depressão pós-show :~~

Valeu pela menção, que venham muitas comédias em pé por aí!