sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Guernica

No meio da noite sua voz chega, sem aviso. Primeiro distante, apenas perceptível, mas logo próxima, grave, inconfundível como o grasnado de um condor, e com uma força ainda desconhecida em nossa guerra particular. Tento brevemente, mas é inútil lutar, resistir. Suas francas palavras me atingem feito bombas incendiárias, rasgando por fora, queimando por dentro. Ficam em cacos os vasos de flor sobre as quais me arrasto. Fraturas expostas nos membros, meu sangue varre o chão limpo. Acendo um cigarro, buscando uma paz que não há, minha fumaça se misturando à que você deixou. E em meu peito nu sinto os espinhos e o calor dos que tentam em vão me salvar, antecipando a dor final trazida das paredes que, quando já não se te ouve, como eu, cedem.


Tyler Bazz

5 comentários:

littlemarininha disse...

Caramba, Ty!
Não imaginava que ia encontrar uma pancada tão grande aqui.
Bom demais, de qq maneira! Lindo, poético e dolorido.

Bonaldi disse...

Orra...

Marina disse...

A @littlemarininha me fez voltar a te ler hoje. Não me arrependi. Nunca me arrependi. Fantástico, Tyler.

Beijos.

Charlie Dalton disse...

Bonito, mas triste. Se isso está acontecendo de verdade contigo, espero sinceramente que essa fonte de inspiração deixe de existir. (...e que pare de fumar!)

Charlie Dalton disse...

Verdade. Uma porrada das grandes! E me doeu ler isso também. Minha barriga e meus olhos estão roxos!