segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Corre comigo

“Você ia adorar o Rio, cara. Tem tudo que São Paulo tem, e você pode sentar na areia e olhar o mar no fim do dia.”

E eu compreendo quando ninguém entende minha falta de interesse pela tranquilidade do mar. Ou porque eu evito os parques de São Paulo e, mesmo tendo dias de semana completamente livres de trabalho, me recuso a subir num ônibus e passar uma tarde que seja na borda do continente, lendo qualquer coisa com o som das ondas quebrando ao fundo.

Mas é que eu preciso da correria. Por isso o metrô lotado não assusta. Por isso a preferência pelos bares mais cheios, a escolha de uma mesa apertada no salão principal para não ficar no andar de cima, mais sossegado. Por isso quero a calçada das avenidas movimentadas, em vez dos botecos nas travessas tranquilas.

Acontece que se eu desacelerar, eu penso, e se pensar, eu paro. É como diz aquela música: eu ando depressa pra não divagar. A cabeça tem que estar ocupada o tempo todo. Música no ouvido, livro na mão, olhar numa tela, num tumulto, no possível assalto. E daí todo o café, todo o trabalho, a fixação no concreto e no asfalto.

O que todo mundo faz pra não enlouquecer, eu evito pelo mesmo motivo.


Tyler Bazz

5 comentários:

Natalia Máximo disse...

Mas, cara, no Rio também tem o metrô lotado, as mesas apertadas, a espera interminável. E o mar no fim do dia <3

littlemarininha disse...

"O que todo mundo faz pra não enlouquecer eu evito pelo mesmo motivo"?
Tá querendo enganar quem? Você já é louco, meu amigo :)
Rápido, ágil e cafeinamente louco.
Gostei do texto, de qq maneira ;)

Lucas Reis disse...

Poucos são os discípulos dos poetas do século XIX, que idealizavam os arraiais, os riachos e o canto dos pássaros. Hoje, os poetas são do asfalto, dos arranha-céus...
Vejo que pelo menos uma pessoa entende a minha aversão ao marasmo da natureza.
Muito bom, Tyler!

Amanda Tracera. disse...

Adorei o post e me identifiquei com ele. Sou o tipo de pessoa que não gosta da bagunça presente na cidade, mas que só sabe viver dentro dela. Não adianta arranjar um lugar tranquilo, porque aí parece que as coisas se acomodam demais, e, uma vez acomodada, eu não preciso voltar à ativa. Sou vítima de uma preguiça maior que eu e, contra ela, nada melhor que o caos e a agitação da cidade grande. :)

Bonaldi disse...

"Acontece que se eu desacelerar, eu penso, e se pensar, eu paro. É como diz aquela música: eu ando depressa pra não divagar. A cabeça tem que estar ocupada o tempo todo. Música no ouvido, livro na mão, olhar numa tela, num tumulto, no possível assalto. E daí todo o café, todo o trabalho, a fixação no concreto e no asfalto.

O que todo mundo faz pra não enlouquecer, eu evito pelo mesmo motivo."

SABE.