quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palmeirense

Eu nasci Palmeirense. Isso, obviamente, podia ter mudado. Do mesmo jeito que eu nasci católico, e hoje... hoje não é bom falar em religião. Eu nasci Palmeirense e isso não tem nada a ver com o fato de eu ser Palmeirense hoje.

Mas é difícil ter nascido em 1987 e não ser Palmeirense. Eu sei, tem milhões de caras por aí que nasceram em 87 e não são Palmeirenses. Isso é problema deles. E hoje, principalmente, é azar deles. Vamos falar dos que hoje têm sorte. Dos que são Palmeirenses. Eu nasci em 87, e eu tinha seis anos em 93. E se naquele 12 de junho eu ainda tivesse alguma dúvida sobre o time para o qual eu torceria (meu pai não deu espaço pra nenhuma, ainda bem), eu teria virado Palmeirense.

No dia 12 de junho de 1993, muita gente virou Palmeirense. Muita gente correu com o Evair pra bater aquele pênalti. Muita gente comemorou feito louca. Italianada louca. Brasilianada louca. Fim de fila, Palmeiras campeão. No dia 13, jogando bola na rua, era dia de ser Evair. Era dia de ser Palmeiras.

Foi fácil ser Palmeirense nos anos 90. Fácil mesmo. Tínhamos sempre um timaço, muitos craques. Evair, Zinho, Edmundo Animal e todo aquele time bicampeão paulista, brasileiro... era fácil e gostoso ser Palmeirense. Foi fácil torcer para o time de 96 (minha primeira vez no estádio, em Rio Preto, embaixo de chuva), tão fácil que eu imagino como deve ter sido difícil para os meus amigos não Palmeirenses torcer para outro time. Azar o deles. Quando eu estava crescendo, bom mesmo era ser Palmeirense.

E aí, em 97, veio esse cara do bigode. Logo de cara quase fomos campeões, mas hoje não é dia de falar de quase. É dia de falar de 98, campeões nacionais outra vez. Um campeonato brigado, sofrido... como esquecer aquela semifinal? Como, na verdade, esquecer cada jogo? Não. Ninguém precisa esquecer. E em 98 ganhamos o Brasil, para em 99 ganharmos a América.

Eu tinha doze anos em 99. E fico imaginando quantos meninos e meninas tinham cinco, seis, sete anos, e em 99 viveram o mesmo que eu vivi em 93. Quantas pessoas podem ver em campo o que canta o hino do seu time? Defesa que ninguém passa. Linha atacante de raça. Com Arce, César Sampaio, Alex, Evair, era fácil ser Palmeirense. Com Felipão no banco e Marcos no gol, santo, era fácil ser Palmeirense.

E aí a fonte pareceu secar. Teve ainda uma Copa dos Campeões em 2000, um certo Paulista (convenhamos, paulistinha) em 2008. São campeonatos, e nós comemoramos. Mas era diferente. Tinha cara de fila, tinha cara de seca. E por muitos anos... nunca foi difícil ser Palmeirense, mas com certeza não foi tão fácil. Eu e milhões de Palmeirenses passamos anos esperando, sendo a torcida que canta e vibra mesmo sem conquistas. Talvez não vitoriosos, mas nunca pequenos.

E os anos passaram, anos de acertos e erros. E em 2010 voltaria aquele cara dos bigodes. Bigodes mais brancos, às vezes menos impacientes, sempre gigantes. E com menos craques, menos dinheiro e cada vez mais problema, ele foi montando o time. De dúvida em dúvida, de desconfiança em desconfiança, Scolari montou sua nova família.

E aí chegou 2012. E mesmo com tudo conspirando contra, na Copa do Brasil de 2012 a fila acabou. A seca acabou. E não, definitivamente não foi fácil. Além de todos os adversários dentro de campo, vencemos sequestradores, assaltantes, desconfianças, a política do clube, lesões, apendicites, febres de quarenta graus. Contra tudo e todos, dentro e fora de campo, terminamos invencíveis. Campeões invictos.

Por isso, hoje é dia de jogar bola e querer bater falta feito o Marcos Assunção, driblar feito o Valdívia, fazer gol feito o Barcos, ser gigante feito o Henrique, ser guerreiro feito o Luan. Ser do Palmeiras. Ser campeão do Brasil. Hoje, 12 de julho de 2012, pode não ser tão fácil, mas como há muito tempo não era, é gostoso ser Palmeirense.


Tyler Bazz

3 comentários:

Bonaldi disse...

Repito o que eu falei no blog da marina, tenho uma invejinha de quem fala tão bem do amor pelo futebol.

Natalia Máximo disse...

Arrepiei, de verdade. Eu era uma dessas crianças de sete anos que viu a primeira Copa do Brasil e, quando comecei a ter idade pra entender o que é futebol, o que é torcer e o que é ser palmeirense, a fonte secou. Veio até uma segunda divisão aí no meio, mas não desisti. Ser palmeirense pode não ser fácil, mas não dá pra deixar de ser.
Parabéns à torcida que canta e vibra, que tava mesmo merecendo comemorar essa vitória e tirar o nó da garganta!

littlemarininha disse...

O amor pelo futebol me faz gostar demais do seu texto e dar meus parabéns pela vitória. Foi bom te ver todo feliz! Foi bom demais ouvir meu namorado gritando CAMPEÃO do outro lado da linha, todo sorridente. (ouns)
O meu Timão merece adversários grandes com torcidas enormes e apaixonadas. É isso que faz o futebol ser tão mágico.
;)