quinta-feira, 12 de abril de 2012

Meu cansaço

Um dia desses eu concluí: cansei dos textos. Não aguentava mais as palavras sempre sem resposta, o monólogo cansativo, as metáforas tentadas.

Cansei dos textos: leitores, público alvo, musas quaisqueres, querer fazer rir, fazer chorar, sonhar. Não queria mais nenhum elogio rasgado, sutil ou disfarçado.

Cansei dos textos: todos os escritores com seus insuportáveis ares de escritor. Me encheu o saco a superioridade no olhar, o complexo de inferioridade calculado com cautela, o falso mistério distante de uma folha só rabiscada.

Cansei dos textos: das estruturas, regras, pontuações, se-pa-ra-ções de sí-la-bas. Precisava me libertar, girar os braços para onde quisesse onde para braços os girar, fosse em círculo sem nenhuma ou ordem. Queria explodir minhas frases <- não essa. (talvezessaumabombacomprimida)

E respirei, pensei, anotei, rascunhei, editei e concluí de novo. Cansei, não dos textos, mas das intermináveis pessoas em volta dos textos. Das que leem, escrevem, são personagens ou gramaticam.

E cansado das pessoas, não dos textos, foi fácil resolver. Agora escrevo, sempre, todos os textos, cada palavra, inclusive essas vírgulas, para uma pessoa só.


Tyler Bazz

4 comentários:

Bonaldi disse...

=']

littlemarininha disse...

Tá, coloca esse na lista dos melhores pra eu escolher depois :)

Jullia A. disse...

Quando eu cansei eu parei de escrever, agora eu des-cansei. E jaja eu canso de novo

Jullia A. disse...

Quando eu cansei eu parei de escrever, agora eu des-cansei. E jaja eu canso de novo