quarta-feira, 7 de março de 2012

Louis Fernán - Mudanças

Louis Fernán não fazia ideia, e detestava aquela sensação. Era profissionalmente frustrante para o detetive – e ele se considerava um bom detetive – não fazer ideia de alguma coisa. E pessoalmente, também, Lou gostava de saber das coisas.

Agora estava ali, perdido. Já havia analisado a situação durante três copos de café, olhado o problema de diferentes perspectivas, rastreado o caminho percorrido até o momento e tentado pensar como o responsável por aquilo tudo, num cansativo exercício mental.

Girou na cadeira e observou a chuva que caía do lado de fora por alguns instantes. Sentia saudade do passado, de uma época em que tudo era mais simples, mais físico, mais mecânico. Estava longe de ser um analfabeto tecnológico, mas começava a demorar cada vez mais para acompanhar e se adaptar às mudanças cada vez mais frequentes. Relutou em aceitar que precisava de ajuda com aquilo. Vestiu o chapéu e saiu, desolado.

Desceu pelas escadas, como fazia quando precisava pensar, e ficou incomodado quando chegou à rua. Smartphones, mp3 players, tablets, aparelhos que logo se tornariam obsoletos. Comprou um jornal ao entrar no metrô e foi lendo, fazendo seu protesto silencioso. Deixou o jornal na primeira baldeação e comprou um livro barato, leu algumas páginas, sacou uma pequena caderneta do bolso e começou a rabiscar, argumentando contra todos os leds e telas de toque.

Chegou a seu destino e subiu de elevador. Precisava pensar, mas não por doze andares. Foi atendido na porta por uma linda garota de vinte anos que já o havia ajudado em um ou outro caso. Não despertava desejo em Lou, que não queria mais misturar trabalho e diversão, mas certamente atraía olhares e elogios por onde passava. Ela admirava muito o detetive, mas adoraria se ele fosse mais parecido com George Clooney.

“O que temos pra hoje, senhor Louis Fernán?”, disse com uma voz pomposa, que sempre a divertia. Convidou-o para entrar com um gesto.

Lou foi até a sala, sentou-se no sofá, ainda pensativo. Tirou o chapéu e olhou com firmeza nos olhos da garota.

“Ok, me diz de uma vez, que eu desisti de procurar. Onde foram parar as porras das DMs?”


Tyler Bazz

2 comentários:

Sérgio Viana disse...

porra, curti pra caralho o estilo do texto. Mas infelizmente talvez eu seja menos ligado em tecnologia ou não tão velho quanto Lou, pois não sei o que é uma DM.
Gostei dos textos!
Abraço.

gilgomex x disse...

Cara, realmente encontrar DMs não é fácil. Eu sei lá. Gosto de tecnologia, mas redes sociais começaram a ficar muito complicadas. O que era simprão de tudo, hoje em dia vem quase falecendo, que é o Orkut... E pensar que foi lá que tudo começou, né Tyler (sem homossexualismo, por favor, comentaristas)? No orkut começamos a trocar links de blogs. Numa época em que éramos (seis) uma pequena turma de blogueiros, que aliás hoje em dia são quase obsoletos. Sorte ainda existirem na blogosfera, seres pensantes como você, o Rob, o Dragus, o Julio, o Deschart, o Arthurius, a Bárbara e muitos outros, que nos salvam de ter que entrar em blogs que só tem videos, fotos, memes e eticétera, que até são legais, mas que acabam deixando os velhinhos (como eu) desanimados de criar textos gigantescos como nos primórdios... Será que fiz sentido? Parabéns pelo dia do blogueiro que foi esses dias, você é um dos que merecem esse "feliz dia"...