segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sem resposta.

Não deu tempo nem de pensar. Eu desci as escadas, fiz aquela curva que leva para a plataforma e dei de cara com ela, lá do outro lado. Devo ter ficado mais branco que um punhado de neve fresca, tremi inteiro, meus olhos quiseram fazer gracinha e foi o maior esforço tentar manter o rosto seco enquanto me perguntava se ela teria me visto, se eu podia sair correndo dali sem parecer ridículo. Na medida do possível. Mas ela me viu, e me deu um tchau simpático, com aquele sorriso que me deixa perdido. Certeza que ela estava cheirosa, ela nunca não está.

Eu sei, eu sei, eu deveria ter respondido o aceno, pelo menos, mas eu não consegui. Eu travei de verdade, juro, eu não conseguia me mexer. Eu não esperava aquilo. Você passa um tempão achando que a pessoa te detesta, que se esconderia caso te visse na rua, ou que precisaria de uns bons dez minutos para lembrar quem é aquele cara que ela conhece de algum lugar, e de repente ela parece estar feliz por te ver. Ok, eu entendo que minha reação pode não ter sido a mais agradável para ela, se alguém viu, ela é a moça que acenou para um desconhecido no metrô, mas ela me conhece bem, acho que ela sabe que eu não fiz por mal. Indiferença? Não, acho que nem passou pela cabeça dela isso. Eu não sou mundialmente conhecido por ser indiferente com ela, né?

Mas, também, o que eu podia fazer ali? Tá, tá, eu podia ter simplesmente acenado, mas não. Eu não podia. “Oi, boa vida.” Não, eu não quero dizer isso pra ela com um aceno e fingir que aquilo não era a coisa mais marcante do meu dia, pra não citar outra forma de data que vai me fazer parecer um idiota. Eu também não podia sair correndo pulando os trilhos subir na plataforma e dar o abraço que eu queria dar e dizer que ela continua sendo..., continua sendo ela, você sabe, e eu continuo sendo só eu, acho que esse é o problema. Eu sei, meio termo. Não precisava ignorar, ou melhor, não fazer nada. Não precisava disso tudo, também, mas eu não conseguia pensar na hora. Não consegui. Só queria ser capaz de lidar com essas coisas sem parecer a pessoa mais ridícula do mundo.

Então eu só fiquei lá, parado, travado, sem tirar os olhos dela, gravando a imagem na cabeça, procurando tudo que mudou e eu não vi, torcendo pra ela dar outro tchau e quem sabe eu conseguiria responder da segunda vez, torcendo pra ela gritar um oi e eu ouvir a voz dela, torcendo pra ela pular os trilhos subir na plataforma me dar um abraço. Fiquei pensando em tudo isso só olhando, sabendo que o trem ia chegar a qualquer hora e que eu não sairia dali. Chegou. Ela embarcou, foi embora. Eu precisei de quarenta minutos pra conseguir sair daquela estação.


Tyler Bazz

3 comentários: