sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ímpar

Já havia feito seu pedido quando a viu, linda, do outro lado do restaurante. Tinha o rosto perfeito, com traços que misturavam delicadeza e personalidade, olhos firmes, capazes de derrubar o mais duro dos homens.

Seus gestos eram delicados e decididos. A forma como espetava a comida, como bebia direto da garrafa - bebiam a mesma marca de cerveja -, como falava. Ela era ótima companhia, tinha certeza; poderia passar horas conversando com ela sem nunca cansar de ouvir aquela voz.

Construiu em sua mente o cheiro dela. Era perfeito, não havia outra forma de descrever. Perdeu-se em suas pernas, mostradas pela minissaia, tão brancas, com certeza tão macias, longas. Passou a imaginar e desejar aquelas pernas em volta de seu corpo, provocando suor, e a sonhar com os carinhos daquelas mãos, com os dedos compridos indo e vindo entre seus cabelos.

Ao vê-la sorrir - rir, na verdade - não resistiu e sorriu também, abaixando a cabeça, tímido, com medo de ser notado. Não foi.

Ela estava acompanhada. Ele não.


Tyler Bazz

6 comentários:

Rob Gordon disse...

Ela sempre está acompanhada.

Sirlene disse...

Sempre.

littlemarininha disse...

O comentário anterior foi meu, alias.

Peterson Quadros disse...

Acho que é esse o problema: A perfeição está sempre acompanhada... Aos desacompanhados fica o sonho. Obrigado pelo texto e bom fim de semana...

Jullia A. disse...

Ele também. Sempre acompanhado.

Bonaldi disse...

Sooo familiar...

(TODOS está acompanhado, só para te irritar).