quarta-feira, 6 de abril de 2011

O órgão mais vital.

Já não se preocupava. Não penteava os cabelos, não lembrava de fazer a barba. Quando precisava, fazia, mas não tinha cuidado, e seu rosto estava cheio de cicatrizes e cortes. A pele do corpo todo exibia hematomas. As mãos doloridas, por socos em paredes e mesas, em horas de desespero; inchaços, sangramentos, queimaduras. Perdia cada vez mais a força nas pernas, que se recusavam a andar. Não podia comer, porque o estômago já não aguentava a digestão, só aceitava química; seu fígado praticamente não existia, não passava um dia sem altas doses de álcool; seus pulmões fumavam maços e mais maços. Não se preocupava, não tinha porquê.

Só cuidava do coração, que era o lugar dela.


Tyler Bazz

6 comentários:

disse...

Forte, triste, pesado.
O coração é o órgão mais vital, sem dúvida, mas que precisa dos outros, não se esqueça disso.
Tava com saudade dos seus textos =)

dri disse...

Eu também estava com saudade dos seus textos! Sério! É bom poder chegar a hora do almoço quando liberam a minha net e ler as coisas de um amigo que está tão longe, mas é tão querido! Tem que se cuidar direito porque os amigos, mesmo os que estão longe, querem você bem para que possam te encontrar e te dar um super mega abraço apertado e ver você sorrir como você sempre fez quando estava com eles! :)

Varotto disse...

Mas pelo comportamento dele, me parece que ela não sabia que estava em seu coração...

Jullia A. disse...

um coração que bate, nos mantém vivos. Mesmo quem está em coma tem um corção batendo. Os batimentos perdem sua função se sua mente não funciona.

Cuide da mente, que o resto se encaixa.

(:

Nih_x disse...

Eu, se fosse ele, provavelmente faria o contrário. As vezes acho que o coração é um orgão superestimado.

Bia Alper disse...

O coração é de fato superestimado, mas não deixa de ser o lugar dos sentimentos.. não mesmo. Lindo texto, e eu meio que conheço esse cara -q