segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Artista

Quando as lojas começavam a abrir e as pessoas enchiam as ruas, ele já estava pronto. Seu dia começava antes das 5 da manhã, quando ia até o mercado portuário trabalhar na venda de peixe. Depois, tomava um rápido banho e ia até a avenida dos turistas. Ali se fantasiava, subia na caixa, com um pequeno pote à sua frente, para as moedas, e passava o dia.

Apesar da grande concorrência - estátuas, reis, sereias -, fazia sucesso. Turistas de todo o mundo lhe deixavam um ou dois níqueis em troca de uma foto e uma curta performance, que ele repetia por horas sem parar.

Às vezes se cansava, perdia a paciência, mal suportava as dores. Continuava apenas porque a lembrança da esposa em casa, dos filhos correndo pelo quintal, dos pais, aposentados em um país pobre, lhe dava a força necessária para continuar. Respirava fundo, grunhia e fazia outra pose.

Ao fim da noite, quando o movimento já era quase nenhum, tirava a monstruosa fantasia e ia para a casa. Chegava sempre exausto, após algumas baldeações, as crianças há muito dormiam.

E quando olhava para elas, crescidas sem que ele percebesse, se sentia, dentro de sua própria casa, um verdadeiro alienígena.



Tyler Bazz

10 comentários:

Rob Gordon disse...

A hum... bem.... Não sei colocar isso ao certo. A "aliendade" não deu certo?

Rob Gordon disse...

Melhor:

Não foi só a humanidade que não deu certo. Os aliens também fizeram sua parte.


Pronto.

Gomex mode: off

Kika® disse...

Para o Alien eu daria uma moeda. Para o Predador não. Trashice tem limite. ;)

Bruno disse...

Isso confirma ainda mais a impressão (criada por você, aliás) de que estou perdendo alguma coisa por não conhecer Barcelona...

Varotto disse...

Rob, alegre-se!

Este, embora alienígena, é menor do que você.

Peterson Quadros disse...

Bom, "O Artista" mostra o que na verdade é atuar em um lugar comum, receber migalhas, andar de onibus e idealizar o mínimo...
Muito bom. Obrigado...

Marina disse...

Ver uma cena e imaginar uma história. Gosto de fazer isso, às vezes. Mas não tenho tido nem tempo de olhar...

Fico pensando no calor que deve fazer dentro dessa fantasia.

Jullia A. disse...

gosto do conceito, mas nao achei que as palavras se encaixaram.

perdao.

Anônimo disse...

I always inspired by you, your thoughts and attitude, again, thanks for this nice post.

- Norman

Ariany disse...

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