sexta-feira, 9 de julho de 2010

Discussão Relevante

“Legal isso que você disse. Mas tem outra coisa que é bem importante na hora de escrever um texto e que a maioria das pessoas deixa passar despercebido.”

– O quê?

“Pontuação. Formatação! Mais especificamente, o jeito de marcar diálogos, sabe?”

– Sei sim. É verdade. Tem gente por aí escrevendo sem dar a menor importância pra isso. O travessão no começo da fala muda tudo!

“Como assim travessão?”

– É! Travessão: direto, bastante marcado.

“Nada a ver! Eu estava falando de aspas. Os diálogos marcados com aspas são bem melhores: além de serem elegantes, as aspas facilitam tudo. Quer inserir o narrador no meio da fala? Fecha aspas e vai! Quer colocar uma fala, pequena ou grande, no meio de um parágrafo? Abre aspas e vai!”

– Tá viajando. O travessão é forte. Com travessão a gente tem certeza que quem fala é o personagem mesmo. Se põe aspas, dá impressão de que é citação.

“Dá pra diferenciar bem. Além do que, usando aspas dá pra usar também aspas simples. É mais um recurso. Não tem essa limitação toda que-“

– Que limitação?!

“Que limitação? Sério?! Travessão, traço, hífen... ninguém nem percebe a diferença.”

– Eu desisto. Você é louco, não dá pra conversar com alguém tão fechado.

Os dois suspiraram, deixando a conversa morrer. O personagem que defendia as aspas, após alguns segundos, disse que toda a discussão poderia ser sem sentido, sem propósito, porque em certos momentos ninguém ia usar nem aspas nem travessão. O outro respondeu que eram casos especiais, de escritores tentando derrubar normas e estruturas, não eram? O das aspas disse que também, mas continuou, dizendo que era uma pena que dois personagens tão bons quanto eles, com tanto a dizer, cada um à sua maneira, às vezes fossem relegados ao silêncio, ou melhor, ao quase anonimato, por um narrador que simplesmente usa apenas a voz passiva.


Tyler Bazz

6 comentários:

Gabriel Leite disse...

Você demora séculos pra escrever coisa nova, mas quando escreve também...

André disse...

Bom mesmo é fazer como o Saramago. Sem travessão.
Fim de discussão.

Dalleck disse...

Tendo algo interessante para se dizer, pode ser até com asterisco.

Faço das palavras da Jullia, as minhas também.

Anônimo disse...

Tomorrow is a new day.
jhgHj.

Marina disse...

Prefiro o discurso direto, com travessão ou aspas. Mas acho legal o indireto também, depende muito do estilo que está sendo proposto.

Muito bom o texto, Tyler. Bjs.

Anônimo disse...

Aprendi muito