quarta-feira, 5 de maio de 2010

Brilho.

Todas as noites se sentava na sacada com um livro e um vinho, no clima gostoso acima do trópico de câncer, e em pouco mais de meia página se distraía olhando as estrelas. Ficava ali perdida, com o coração apertado, pensando nele e no que ele estaria fazendo no calor do Brasil. Será que também olhava o céu? Não bebia vinho, quase certeza. Olhava sempre na mesma direção, fixamente. "É a estrela favorita dele," disse um dia a uma amiga, que riu, dizendo ser impossível, pois os céus do norte e do sul são diferentes. Ela sorriu, pensou uns segundos, e respondeu: "é sim, eu decidi assim."

E era. Era a estrela favorita dele, porque era a dela.


Tyler Bazz

10 comentários:

Marina disse...

Ele deve beber cerveja. #calordosinfernos

George Marques disse...

Ou cachaça, pra ajudar a dormir nesse calor.

Lua Durand disse...

Acho que tu postou agora, e eu entrei aqui por acaso agora.
E talvez eu seja a primeira a comentar.

-

E será que ele, no calor do Brasil, mesmo sendo de um ponto diferente, em algum momento, talvez no mesmo que o dela, olhava essa estrela, e pensava nela, como ela pensava, nele?

-

Tão leve, como tu escreve.

Lua Durand disse...

Bom, eu não fui a primeira, mas isto também não importa tanto.
Gostei daqui, volto sempre que der.
Até.

Mari Hauer disse...

Ah, que lindinho! Eu sento e fico olhando pro céu aqui... O céu é absurdo de lindo!

Mas preciso confessar que confundo o trópico de câncer com o de capricórnio e que prefiro as praças para ler do que as janelas.

Em geral eu gosto dos finais tristes. Mas tem dias que os finais bonitos nos fazem bem. Hoje é um deles. Deu vontade de tomar vinho. Mas daqueles bem suaves, rosinhas...

E sobre as estrelas... ah, a gente sempre sabe qual é a preferida. Na verdade, a gente sempre inventa. E acredita!

Bêjo!

Nadia disse...

A mesma estrela pode brilhar em dois hemisférios... se a gente decide que vai ser assim.

Gosto do gosto que os seus textos deixam em mim.

Maria Rita disse...

Que conto lindinho.Isso me lembrou que não importa trópicos ou hemisférios, é sempre um mesmo céu cobrindo nosso coração, né. *-*

Sempre venho aqui, mas agora que comentei. Comentarei muuito mais vezes, ok?!

:*

R. disse...

Foi o vinho que subiu pra cabeça...

bjo

Bruno Vieira disse...

Porra... Muito bom. Singelo.

Bonaldi disse...

Que bonito!
Para provar que só texto clichê e brega sobre estrelas é que é ruim.

(Pra desambiguar: esse é bom!)