quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Meeting Besta-Fera

Em agosto de 2008, contei aqui no blog como foi que minha amizade com o Rob Gordon saiu da internet e foi parar na churrascaria, no que certamente ficará na História como uma das noites mais sangrentas já vistas no Degas – embora, em sua versão da história, o Rob insista em dizer que tudo não passou de mais um surto de esquizofrenia meu. Devido às nossas agendas sempre cheias, sendo sérios homens de negócios que somos, somente neste último fim de semana pudemos repetir o encontro. Noite paulistana de sábado, aproximadamente trinta e cinco graus, e estaríamos nós três – Rob, meu primo Marcelo e eu – outra vez dilacerando uma picanha quase viva.

Não tivemos qualquer tipo de problemas na hora nos encontrarmos, dessa vez. As coisas mudaram – pelo menos para o meu primo – desde 2008. De um jovem garoto sedento por violência, ele se transformou em um homem feito, com opiniões próprias (ok, ele já as tinha), barba na cara (hm, ele tinha também) e carteira de motorista (isso! isso ele não tinha naquela época!). Sendo assim, Marcelo nos guiou gentilmente pelas ruas da Vila Madalena e de Pinheiros até a Teodoro, onde poderíamos desfrutar de um agradabilíssimo jantar comer carne pra caralho.

Ao entrar no local, prontamente nos demos conta de que a noite ali seria muito mais tranqüila do que aquela de nossa visita anterior: algumas das cadeiras eram ocupadas por mulheres; e mulheres bonitas! (Isa e Ju, caso vocês estejam lendo isso, o Rob e o Marcelo nem notaram a presença de tais mulheres; só eu que fiquei babando mesmo). Fomos até nossa mesa, pedimos as Cocas, os pães, a carne... e aí a diversão começou:

a responsável por tudo

Corremos os olhos pelas mesas, em busca dos clones, passando, é claro, pelo garçom “Mini-Mim do Russell Crowe em Uma Mente Brilhante”, e outros personagens. E então vimos o que, com certeza, entraria fácil em uma lista das coisas mais bizarras já vistas ali (e estamos falando do Degas): o gordinho.

Não era um gordinho normal. Era “o gordinho que vai ser virgem até os vinte e seis anos”. Aos nove anos de idade, vestia com orgulho sua camisa social azul-calcinha, com todos – eu disse todos – os botões fechados; usava óculos que alguém poderia classificar como “pouco usuais para um garoto daquela idade”, e um cabelo penteado, tão minuciosamente dividido, tão colado a seu couro cabeludo, que faria Tom Hagen parecer o goleiro colombiano Higuita.

Por milésimos de segundo pairou em nossas cabeças a dúvida: “mas por que ele é assim?” A resposta estava ao lado do gordinho, era seu pai. O pai do gordinho era uma versão magra, porém velha, do gordinho. Com todas as características vistas no gordinho, adicionado o cabelo grisalho e um queixo capaz de bloquear uma avenida. Fazendo as contas (Rob e Marcelo as fizeram, uma vez que foi provada minha inabilidade com números), chegamos à conclusão de que o gordinho perder a virgindade aos vinte e seis seria um avanço, pois o pai dele sem dúvida não fez nada antes dos trinta. O que nos leva à mãe do gordinho.

A mãe do gordinho era o Chris, de Family Guy/Uma Família da Pesada. Apenas isso direi.

já pensou sair dele?

Apenas com esses três personagens aquela mesa já era nossa favorita, alvo de, em coisa de dois minutos e meio, 478 piadas, sendo algumas delas impublicáveis e/ou de gosto duvidoso. No entanto, enquanto esperávamos por nossa picanha, e o gordinho esperava por suas quatro porções de batatas fritas (isso não é piada), reparamos que havia muito mais lugares vazios do que ocupados na mesa, o que podia ser um indício de que a coisa poderia piorar.

Ou melhorar, depende do ponto de vista. Porque, em certo momento, o gordinho começou a procriar – sozinho, obviamente. Outras pessoas brotavam dele e passavam a ocupar os lugares vazios da mesa. Não, elas não chegavam à churrascaria. Ninguém, em nenhum momento, viu alguma daquelas pessoas entrarem no local, elas simplesmente surgiam na mesa. Além disso, o nível de bizarrice delas só podia detonar parentesco com o gordinho.

Não me alongarei muito nas crias, apenas direi que entre elas tínhamos:

- Kevin Bacon, idêntico. Que em certo momento chamou o garçom de “garçom” e perdeu nosso respeito. (Rob Gordon explica: “no Degas você não chama o garçom de ‘garçom’, é no mínimo ‘campeão’”)

- Tony Kanaan, mais que idêntico. Ainda tenho minhas dúvidas se aquele não era mesmo o real.

- Um casal de caras, um mais loiro (que ganhou massagem do Tony Kanaan por uns vinte minutos) e um mais moreno, que provocaram o seguinte diálogo em nossa mesa:

“Aqueles dois ali, isso, logo logo eles vão ficar.”

“Mas não pode! Eles são irmãos!”

“Estou te falando.”

[o casal levanta e sai do restaurante]

“Mas eles são irmãos!!!”

- O “Cara mais Bizarro do Mundo”, que leva essa alcunha na falta de outra melhor. Que em algum momento do passado foi volante do Bahia, e que guardava grande semelhança de traços com um dos garçons da casa.

- Um outro cara. Que provavelmente tinha muito o que falar com o volante do Bahia.

E assim o jantar correu tranquilamente. Com uma média de trezentas piadas por garfada. O gordinho em certo momento se levantou, o que encheu nossos corações de esperança, achando que ouviríamos um discurso do grande patriarca. Mas não, ele apenas ficou em pé, encarando a nuca de seu pai, provavelmente procurando ali alguma batata frita.

Quando a mesa do gordinho foi embora, seguida por todas as outras, e vimos que estávamos sozinhos no lugar, sendo encarados por todos os ‘Degas’, decidimos que era hora de ir.

“Vamos dar um pulo lá em casa, daí você conhece a Besta-Fera”, convidou Rob.

Eu aceitei, achando que o sangue da picanha seria o único a ser visto naquela noite.


[continua]

16 comentários:

Natalia Máximo disse...

ODEIO sagas. Dá uma ansiedade absurda nos leitores, é mó mancada!

Isadora disse...

Eu parei na parte do 'mulher bonitas' e estou saindo pra exigir explicações.
Volto quando Besta_fera aparecer no texto ;)

Rob Gordon disse...

Tinha mulheres no restaurante? Não reparei.

Nadia disse...

Não... sabe, como assim continua.
Eu... tyler, vc me conhece, curiosidade + arritmia.
EU VOU INFARTAAAARRR.

¬¬

Bruno disse...

Meu almoço no Degas ficou pra uma próxima. Mas eu vi o Mini-Mim do Russel Crowe na rua!

Rob Gordon disse...

Verdade

O Meeting Bruno Palma está no forno do Champ.

Rafiki disse...

O continua é que me mata...

Varotto disse...

Porra! Eu quero ver se você vai poder comparecer quando eu também for repetir a picanha do Rob (opa! peraí caceta! isso ficou meio estranho...)

Varotto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

Essa foto da picanha foi um sacanagem comigo, Tyler ¬¬
relações cortdas!



Até vc me levar numa churrascaria




E tenho dito! =P

Rob Gordon disse...

Pela primeira vez, estou do outro lado e posso falar isso:

Essa porra não continua?

Leticia disse...

Eu li, mas só queria comentar que sou sua seguidora no. 69

=)

Daniela disse...

Humm...

PUTA curiosidade...

Bel Lucyk disse...

Cadê besta-fera???

Daniela disse...

Estamos aguardando....

7Seven7 disse...

"Além disso, o nível de bizarrice delas só podia detonar parentesco com o gordinho."...