quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eu Vi o Amor Nascer

Ele não tinha mais que sete anos, estava ocupado, distraindo-se com os botões e compartimentos de seu assento, abrindo e fechando o cinto de segurança, sendo um menino de sete anos. Ela devia ter um ano a menos, cruzou o corredor cansada, depois de ter passado a última hora correndo pela zona de embarque e pulando em cima do irmão mais velho.

Ele não sabia o que era, quando esqueceu completamente tudo o que fazia e só conseguia olhar para ela, buscando onde ela se sentava, tentando ver o que ela fazia, e obviamente torcendo para que ela não visse que ele olhava. Eu sabia. Quando suas mãos começaram a suar, quando para ele não havia mais ninguém no avião, quando ele se esforçava para ouvir o que ela dizia para a mãe, ou para o irmão, mesmo sem entender uma única palavra, eu sabia o que era.

Ele, pequeno francês, nunca mais esqueceria a garotinha de cabelos castanhos naquele voo de Madri a Paris. Nunca mais. E ela, espanholinha, não fazia ideia do que acontecia com o menino sentado quatro filas à sua frente. Não notou ele ali, nunca ficou sabendo do que despertou.

Ele, ainda um menino de sete anos, só descobriria anos depois o que eu já sabia: que, naquela manhã de sexta-feira, ele se apaixonou pela primeira vez.


Tyler Bazz

18 comentários:

Mari Hauer disse...

Ah, que lindo!

Eu lembro da primeira vez que me apaixonei assim... tão bom ser criança...

Gostei do texto! Me abriu um sorriso me lembrando da minha infância!

Marcello disse...

Eu não lembro da primeira vez que me apaixonei...


Mas de uma coisa eu tenho certeza: não fiz absolutamente nada.

Marina disse...

Acredito que o texto fez jus ao momento, mas ainda queria estar lá para ver o brilho nos olhos dele. Uma inspiração e tanto.

Lindíssimo texto, Tyler.

ticoético disse...

lembro-me do me primeiro amor...ele era loira,fumava feito uma chaminé,mas assim que me viu tive que matá-la...ah não,esse era um filme do Bond,mas tanto faz,o blog do Tyler voltou,não voltou?!
enfim,belo texto.
abraço !

Nadia disse...

Queria lembrar como é isso.

=/

Abra sua mente disse...

Eu acreditei que tivessem 5000 comentários... HUAHAUHAUAHAU, Enfim... Exceletente texto. Parabéns! E eu me lembro da primeira e única vez que me apaixonei, foi algo surreal, inocente.

Bruno disse...

Ah, as espanholas...

Gabriel Leite disse...

Coitado, né?
Mal sabe ele que a tendência é essa mesmo. Olhar, se apaixonar e nem ser notado.

Deisinha Rocha disse...

Ah, os franceses...

Daniela disse...

Ah! Que graça!!!
Mto meigo!

Rob Gordon disse...

Tem certas coisas que só você sabe escrever, cara.

Le Magnifique disse...

E o francês nem foi lá, nem disse nada e nem deu sinal de vida, ne?

Hummmm....parece que eu sei mais ou menos o futuro do fancesinho, coitado.

disse...

Não era o contrário ? A espanholinha olhando o francesinho ?
Se não... Daqui alguns anos seria.

ADOREI. Muito meigo. Sublime e inocente.

Ah que delícia, fico 2.957 anos sem vim aqui, e solto um sorriso bobo como aquele da primeira vez.
Cada vez melhor. Mas, o sorrisso AINDA BEM, ainda é o mesmo.

Varotto disse...

Señor Bazz!!!

Já era hora de sair da toca. Já está, fisicamente, de volta?

Bem-vindo de volta às trincheiras bloguísticas...

P.S.1: O Rob já te deu a cantada para o Degas cai na rede?

P.S.2: Belo textinho meigo.

P.S.3: Sem querer ser chato, mas não conseguindo evitar: cinto de segurança (terceira linha).

Tyler Bazz disse...

Valeu Varotto, puta descuido! aUHahuaHUAhua
Posso usar a desculpa de que ainda tou confuso com os idiomas? =D


To de volta sim... não ouvi nada oficial sobre o Degas Cai na Rede, mas já topei..

Larissa Bohnenberger disse...

Ai, que fofo!

Tá de volta, finalmente, então? Bom retorno!

Bjs!

Bonaldi disse...

Ah, os franceses....

Bonaldi disse...

E sim, acabei de me atualizar no seu blog.