quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A Declaração de Amor

Cinco minutos, eu tinha, em contagem regressiva. Não sabia nem por onde começar, mas sabia que tinha que fazer, dizer. A situação, obviamente, não ajudava: nós dois, amarrados, no meio do nada, de frente um para o outro, nervosos, desesperados, a bomba cuidadosamente colocada entre nossos umbigos. O tempo passava e ela se agarrava com mais e mais força a mim, talvez desejando que eu tivesse algo que não tenho, ou que eu surgisse com uma manobra miraculosa que nos salvaria. Esse não era eu, ela era assim. Por dez anos corremos para cima e para baixo pelo mundo, lidando com gente da pior espécie, fazendo negócios de moral duvidosa, quebrando regras e acreditando em nossa própria justiça; eu tinha o cérebro e algum charme, o que ajudava; ela tinha o cérebro, o charme, a força, a beleza, o corpo, o cheiro, tudo. É claro, é óbvio, é ridículo e adolescente: me apaixonei por ela, e nunca disse nada a respeito. Agora, enquanto nossos últimos minutos corriam, ela chorava e eu tremia, a única coisa em minha cabeça era como eu poderia dizer a ela tudo que senti, e qual seria sua reação. Com sorte, terminaríamos num beijo lindo, que culminaria com nossos corpos pelos ares e nossas almas de mãos dadas na porta do inferno. Eu não disse nada; só a abracei, senti suas lágrimas em meu rosto, e disse que tudo ficaria bem. Clichê? Clássico. Cinco minutos, eu tive. A bomba? A bomba explodiu.

Tyler Bazz

25 comentários:

luiza disse...

ahhh! que bonito. antes tarde do que nunca. :]

Aline disse...

Já vi que finais felizes não é com você!

Dalleck disse...

Acho que o Tyler é o JigSaw.

Barlavento disse...

Por um momento torci pelo final feliz... Mas gostei quando a bomba explodiu.

Nadia disse...

Eu odiaria que dessa vez o final fosse feliz.
Cinco minutos é muito tempo... mas nunca vai ser suficiente pra uma declaração de amor.
Elas são constrangedoras.

E tudo é mais bonito quando fica subentendido.
xD

Barbarella disse...

Certeza que voc^e deixaria isso acontecer mesmo. Coisas do Tyler super t'imido... rsrs

**

George Marques disse...

Será que só fui eu que pensei nos corpos voando pelo espaço quando a bomba explodiu?

Elis disse...

História de um defunto autor que morreu de uma obsessão? Realmente, dizem que é mesmo um clássico ^^

Elis disse...

História de um defunto autor que morreu de uma obsessão? Realmente, dizem que é mesmo um clássico ^^

Marina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marina disse...

Acho que saiu meio diferente do teu estilo; mesmo que a bomba tenha explodido e ele não tenha se declarado, eles terminaram juntos. Hahaha!

Acho que com um início e um meio, esse fim "sadly ever after" coroaria um bom livro.

Gabriel Leite disse...

Estilo é se auto-plagiar.

Alguém disse isso.

Larissa Bohnenberger disse...

Porra, se era pra morrer de qualquer jeito, o cara podia ter pelo menos deixado de ser banana e se declarado, né? Teriam sido 5 minutos bem aproveitados, pelo menos...

Bjs!

Varotto disse...

Agora sim! As coisas de volta ao seu lugar.

Mas diz pra mim que foi a D. Maria (do tricot) que armou a bomba...

Não é possível que aquela velhinha não tenha matado ninguém!

mariana disse...

ela era a mais tudo? [ok, deixando de ser chata] gostei tanto desse texto. tanto que nem sei falar. (como sempre)

mariana disse...

ela era a mais tudo? [ok, deixando de ser chata] gostei tanto desse texto. tanto que nem sei falar. (como sempre)

mariana disse...

ela era a mais tudo? [ok, deixando de ser chata] gostei tanto desse texto. tanto que nem sei falar. (como sempre)

mariana disse...

ow, comentei uma vez só o.o' não sei o q aconteceu :/

MaxReinert disse...

HUmmmm.....
Quem disse que não teve final feliz?
Bom... as pessoas tem noções distintas do que é a felicidade!!!
Com certeza!

Deisinha Rocha disse...

kase clichê...


mas na delicadeza do clássico!
Palavras nem sempre precisam realmente serem ditas... não qndo se sente isso nos movimentos...

Que Nem disse...

banana master!
se bem q naum faria diferença alguma
__

mas se foi D Maria a culpada, ah, eu desmancho aquele cachocol fedorento!

Sam disse...

Declarações de amor poderiam ser feitas por telepatia. Sem palavras, tudo bem mais fácil :)

beijoos

Larissa Bohnenberger disse...

Selinhos pra você:
http://oelementofogo.blogspot.com/2009/01/presentes-ganhos.html

Fernando Ramos disse...

Pergunta tola:

Ele era um CDF, certo?

isa .-. disse...

nossa, perfeito *_*