sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Meeting Rob Gordon - Parte 2

(não se perca, leia a primeira parte aqui; versão do Rob aqui)

Obviamente não era o Rob. Olhei para o outro lado e então vi todo aquele 1.60m, toda aquela careca, ele. Passei por uma morena que se insinuava numa mini-saia e o cumprimentei. Estava feita a merda.

Fomos em direção ao restaurante escolhido. No caminho, para quebrar o gelo, entramos numa agradável conversa sobre calor - como bons trocadilheiros que somos. Rob me contava como foram os anos em que ele viveu na Amazônia, passando por três aldeias de duas diferentes tribos, onde ele aprendeu as artes da carne crua. Eu resmungava sobre minha vida num lugar quente como o inferno, e cuja umidade se aproxima muito daquela do Atacama.

Chegamos. Rob entrou, com a tranqüilidade de quem conhece o lugar. Meu primo entrou, varrendo o lugar com os olhos, fingindo procurar ameaças e procurando, de fato, peitos. Eu entrei. Enquanto me encaminhava para nossa mesa - bem escolhida, aliás, proxima à janela - passei por um conjunto de mesas ocupadas por caras, entre 22 e 35 anos, que já aparentavam estar algo além das primeiras cervejas.

Sentamo-nos e logo passamos a entupirmo-nos de pão. Conversávamos e ríamos. A mesa ao lado fazia o mesmo, só que mais alto; ignoramos. Passamos, então, a tentar chamar a atenção de um dos garçons. Queríamos mesmo ser atendidos por aquela "versão para estante" de Uma Mente Brilhante.

O Mini-Russel-Crowe nos ignorou, e nos contentamos com o garçom que veio até nossa mesa pegar o pedido. Claro que, como Rob Gordon estava lá, foram necessárias três ou quatro tentativas para que o homem entendesse que queríamos "uma picanha gorda e mal-passada, e uma porção de batatas-fritas, separada da picanha." Eu já cogitava pedir uma pízza quando finalmente o garçom levou nosso pedido, nos deixando sem saber o que esperar.

Continuamos a conversa. Rob lançou-me o desafio: todas as Copas do Mundo, com o ano que aconteceram, país-sede e país campeão. Passei, com um quase-deslize em 1998, causado pelas risadas altas demais da mesa ao lado; eu merecia estar naquela mesa. Rob aproveitou e começou a lista dos filmes 007, em ordem cronológica; a mesa ao lado atrapalhou mais uma vez, já começavam a irritar; Rob incluiu em sua lista as versões não-oficiais, versões para tv, versões de bolso, versões sem cortes e paródias pornô de James Bond. Também recitou todos os discos de estúdio já lançados pelo Iron Maiden; ele merecia estar naquela mesa. E enquanto Rob e eu demonstrávamos como sempre preocupamos nossas famílias em relação a nossos futuros, Marcelo já se engraçava com a terceira garota da noite. Ele merecia estar naquela mesa.

Conversa vai, conversa vem, e em meio às levantadas de voz que tínhamos que ar parar ouvirmos uns aos outros, vimos, numa das mesas do restaurante, ela. Cabelos longos, louros, cacheados, gordurinhas... Carolina Villenflusser! Enquanto observávamos a RP desaparecida, um flash foi disparado no lugar. Olhei em volta, nada. Rob olhou à outra volta, encontrou o dono da câmera. Um pequeno sinal meu com a cabeça pôs um sorriso no rosto de Marcelo, ele adorava destruir uma máquina fotográfica. Dois minutos depois e já não havia nenhuma imagem que provasse aquele encontro. (Don Barzini mode: on).

Curiosamente, logo após esse momento, ouvimos tocando a música tema de "O Poderoso Chefão". Nos entreolhamos, um pouco preocupados e um tanto pomposos. Poderia ser uma homenagem, para quem? Ou apenas uma simples coincidência? Ficamos alí ouvindo a música e tentando disfarçar o orgulhoso sorriso em nossas faces. E então descobrimos de onde vinha a melodia.

[continua]

20 comentários:

Gabriela disse...

'Cabelos longos, louros, cacheados, gordurinhas... Carolina Villenflusser!'

hahaha

Por essa acho que ninguém esperava!

E vê se não demora taaaanto pra terminar a saga.

Confesso que me viciei em F5.Aqui e no Champ.Vocês ão terríveeeis!

Muito bom,Tyler.

MaxReinert disse...

huahauhauhauahaa.....

Até a Carolina apareceu no restaurante??? :O

Deve ter ido se livrar do corpo do Rodrigo!

huahuahauhauahuahuahuahuaha

Idylla disse...

Gosteiii da históriaaa e do blog bjo**

Thiago Apenas disse...

"Rob incluiu em sua lista as versões não-oficiais, versões para tv, versões de bolso, versões sem cortes e paródias pornô de James Bond"

hauhauhaahuhaahu!

Continua? Nãoooooooooooooooooo

Varotto disse...

Realmente impressionantes como dois bloguistas juramentados e críticos atentos do gênero humano sentam-se em torno de uma mesa e não tem nada mais para falar do que listar copas do mundo e filmes do James Bond. Só faltou o clássico:

- Calor né?

- É acho que vai chover...

- Só...

- ...

Vocês são uns sádicos malditos que viram o filme do Batman e resolveram se inspirar no coringa! Terroristas! Anda logo com o final dessa história!

PS: Só aproveitando. Eu sei que o Rob vai achar que é sacanagem minha, e que eu tenho complexo de superioridade ou sou mitômano. Mas sabe aquela cena famosa do 007 no Rio, em que ele desliza pelos cabos do Bondinho do Pão de Açucar? O dublê foi o meu sogro, que era bombeiro. A gente é pobre mas é bem relacionado...

Gilgomex™ disse...

e eis que surge, Carolina Vaissifiuder... Só podia...

agora vou ler a versão RobGordoniana dessa putar... Dessa história.

Deisinha Rocha disse...

continua, continua, con tinua...
¬¬

ok! Isso já perdeu a graça...


Testemunhas q viram a carol villealgumacoisa... hum... isso é suspeito...

E Varotto, estou a me perguntar se acredito...

Bruno Alves disse...

Cara, tô me estourando de rir aqui!!
Já acompanho esse daqui há algum tempo, e acho muito foda!
Tô linkando aos meus, ok?

Abração, mal posso esperar a continuação!

Dalleck disse...

Lendo o mesmo assunto em dois blogs, parece que eu tô vendo flashbacks do Lost =D

vou te linkar no Farofa à Milanesa, ok?

A. Lichtenstein disse...

Hahahaha, a parte da Carolina é a mais engraçada!
Me fez rir demaaaais. Muuuito muito bom!
Tô morrendo pra ler essa continuação aí. :)

Você PRECISA escrever um livro um dia. E quando escrever, me convida pro lançamento, a cerimônia e a coisa toda.

Rejane Oliveira disse...

A melodia do poderoso chefão deve ser do celular de alguém digamos, um incoveniente... rsrs

bjos

Varotto disse...

É... Essa história está me cheirando a enganação. Vamos ao que eu acho que realmente aconteceu:

Os três cavaleiros entraram no restaurante. E, mesmo estando entre os maiores blogueiros do mundo, o assunto, na hora H, não apareceu:

- Você já notou que quando alguém diz “pois não” quer dizer sim, e quando diz “pois sim” quer dizer não??

- Só...

...

- E o Biro-biro, hein?

- Pois é, batia um bolão...

Então no ápice da falta de assunto e não suportando mais aqueles momentos de silêncio desconfortável, apelam para a última cartada. Aquela que poucos seres humanos dignos desse nome lançariam mão: Listar filmes do 007 e Copas do Mundo.

Nesse momento, um grupo de amigos reunidos em torno de uma mesa repleta de garrafas de cerveja já vazias, que dali escutavam a conversa, não consegue mais se controlar e começam a gargalhar convulsivamente e a falar todos ao mesmo tempo, causando enorme incômodo no restaurante. Nossos três protagonistas lançam a eles olhares de desprezo.

Em outra mesa próxima, uma jovem loura, de cabelos longos e cacheados, com algumas gordurinhas salientes, revira os olhos, quando a conversa chega ao ponto de uma discussão sobre como um deles se esqueceu de listar o filme “007 – O amanhã nunca morre”, mas o outros se esqueceu da Copa de 1998. Riam de alguma coisa que envolvia o Russel Crowe e anões, mas que ela não entendeu, e pensa:

- Ai meu Deus...Tipo assim... Porque é que eu não deixei aquele maníaco me fatiar? Será que ainda dá tempo de voltar lá?

Interlúdio:

Enquanto isso, num barzinho ali perto, a morena de mini-saia e cabelos esvoaçantes e o louro tatuado vestido de couro tomam um chope, tentando se conhecer melhor. Diz ela:

- Que coisa mais louca a gente ter se encontrado assim, né? Imagina só: se eu não estivesse distraída, olhando para trás preocupada com aquele baixinho careca que ficou me olhando de um jeito esquisito, não tinha batido de frente com você. Deve ser destino né?

E respondeu ele:

- É... Muito louco mesmo. Pior é que eu também nem te vi chegando porque estava incomodado com um cara que vinha andando com um outro garoto e ficou me olhando esquisito. Acho que ele me confundiu com um garoto de programa. Um brinde ao destino...

- Tim, tim...

Fim do Interlúdio.

De volta à churrascaria, a conversa na mesa já girava sobre um bootleg raríssimo do Iron Maiden que dizem que apenas cinco pessoas no mundo possuíam, mas que todos que tiveram a chance de escutar sofreram mortes misteriosas e suspeitas. Nisso eles começam a escutar a música tema de “O Poderoso Chefão”. Dois deles olham tensos em direção ao som (o terceiro estava distraído com a garçonete de saia que havia se abaixado para pegar uma moeda), apenas para ver uma adolescente atender a um telefone rosa e dizer:

- Oi, Xu. Nem te conto. Baixei um ringtone muito louco para meu celular. É tipo assim uma música de um filme velhão de, tipo assim, bandido, mafioso lá da Espanha, sei lá... Acho que é do tempo de meu avô.

(não continua)

P.S.: Desculpa a brincadeira aí, hein???

Lady Dari disse...

again continua?
pelamor!

Dragus disse...

... Quem sabe um dia consiga voltar a São Paulo para realizar essa narrativa.

Claro eu faria com menos...

[continua...]

Lucas disse...

Se eu estivesse lá essa música seria o toque do meu celular, e como sou muito esperto esqueceria que era meu toque e ficaria ouvindo como vocês fizeram, adoro essa música.

A história tá ficando cada vez melhor, mas já começo a me questionar se terá mesmo um fim...

[CONTINUA]

Favoretto, Thais. disse...

Sabes que na verdade esta música simboliza que vocês estão perdidos.
Não ignore os sinais que a máfia está lhe dando.
Fuja, Tyler, fuja!

An@Lu disse...

que inveja!
quando é que será que os blogueiros (e até a carloina) vêm dar uma voltinha aqui por Lisboa?
Bom, eu tb não posso me queixar porque já tive um encontro imediato de terceiro grau com o Max, do pequeno inventário!

Fee disse...

adoreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei

Marcio Sarge disse...

Musica do Poderoso Chefão rolando? Hummmm ou alguém deixou o celular tocando ou alguma coisa trágica está mesmo pra acontecer com essa história.
Talvez a versão pocket do Russel em Uma Mente Brilhante se transforme na versão Russel de O Gladiador e armado com aquelas ferramentas medievais comece aquelas famosas brigas de bar cinematográficas que eu gosto tanto.
Ansioso pelo desfecho haha.

Míope disse...

A vida imitando a arte...
Carolina por lá? Vocês não beberam?

hahaha
Vou ver o final.

Abç!