domingo, 20 de julho de 2008

Colunas, hospitais e bacon.

Eu costumo dizer que, se existe um deus, ele periodicamente larga mão de suas tarefas e se concentra em foder minha vida. Por um tempo eu achei que era durante minhas épocas de aula; aí eu entrei de férias e vi que era nesse período que ele mais me dava atenção; então vieram mais aulas, e ele continuou. A conclusão foi de que não tem época; é o ano inteiro e ponto.

Semana passada eu entrei de férias. Foram cinco dias bonitos. Só lendo, vendo filmes, dormindo o dia todo e passando as noites acordado. Sem preocupações. Durou pouco. No sábado a minha mãe - que eu desconfio ser um agente duplo - travou: na liquidação de hérnias de disco, ela comprou uma, instalou na hora, e só depois descobriu que não aceitavam devolução. Resultado: lá vai a mãe de Tyler para o hospital.

Na segunda-feira ela estava internada, e o escritório de vendas pelo qual ela é responsável estava em minhas mãos. Mau negócio. Percebi então que meu sonho de férias havia acabado, e que pela frente vinham vinte dias de trabalho de vendas (ligar para clientes, conversar com pessoas, só coisa que eu gooosto de fazer).

Como nada vem sozinho, a Tim resolveu cortar o serviço de 6 dos 7 celulares que temos em casa. Não recebiam ligações, nem faziam. Minha mãe estava no hospital e ninguém podia falar com ela. Após toda uma segunda-feira de trabalho, liguei na Tim:

- Tim, boa tarde, em que posso ajudá-lo?
- A Tim cortou meus celulares. Por incompetência da Tim. Resolva.
- Qual o nome do senhor?
- Tyler Bazz.
- Só um minuto.
- Ok.
[...]
- Senhor, só posso passar informações para o titular da conta.
- Seguinte: eu sou cliente da Tim há 3 anos; hoje a minha mãe está internada e eu estou usando vários meios de comunicação para falar com ela, menos os celulares da Tim. Há um problema aqui, certo?
- Sim, senhor.
- E ninguém vai querer que esse problema não seja resolvido. Então, o que você vai fazer?
- Só posso passar informações para o titular da conta, senhor.
- Certo. Você poderia então, por favor, me passar o telefone da Claro?
- Não, senhor.
- Ok, tchau.
- A Tim agradece a-

Desliguei o telefone e dormi. Na quarta-feira terminei o trabalho e não tive nem tempo de respirar. Olhei para o relogio, eram seis da tarde. Lembrei-me que o horário de visitas do hospital terminava às seis e meia. Ou seja, eu teria que correr se quisesse ver minha mãe. Peguei minha coisas e saí correndo.

Enfrentei o trânsito, os vendedores ambulantes, os pregadores de rua, quatro estátuas-vivas, duas gangues de anões - uma delas de anões mancos, um clube de garotos jogadores de rpg, dois otakus e um flanelinha. Cheguei ao hospital por volta das 7. Parei na recepção:

- Quero ver minha mãe.
- O horário de visitas já terminou. - O rapaz da recepção não teve a capacidade nem de erguer a cabeça para conversar comigo.
- Olha, eu quero mesmo ver minha mãe. Pouco me importa se o horário de visitas já acabou ou nem começou. Só me fala o número do quarto, que eu vou e ninguém se machuca.
- Não posso deixar você subir. Só amanhã às duas da tarde.

Respirei fundo, não era a primeira vez que aquele hospital me causava problemas. Tomei um Dorflex, foi quando vi um segurança do hospital, armado, se aproximar. "Pronto!", pensei. Mas quando ele chegou mais perto vi seu rosto, era um dos meus. Ele foi até a recepção e disse algo no ouvido do recepcionista, que ficou pálido, tremendo. Fui até lá de novo:

- Desculpe, senhor, eu não te reconheci. Desculpe. Sua mãe está no quarto 333, pode subir, eu vou avisar que está tudo ok.

Subi. Passei pelos seguranças sem nenhum tipo de problema e cheguei ao quarto da minha mãe. Fiz uma visita rotineira, verifiquei se estava tudo bem. Ela me informou que seria operada no dia seguinte, pela manhã, e apontou para fora do quarto, na área das enfermeiras, me mostrando o médico responsável pela cirurgia. Enrolei mais alguns minutos e me despedi dela, disse também que não deixasse ninguém no hospital saber que ela é minha mãe, isso poderia causar algum transtorno.

Saí do quarto e me aproximei, em silêncio, da sala das enfermeiras. O tal médico que operaria a coluna da minha mãe conversava, todo engraçadinho, com uma das enfermeiras, bem jovem e gostosinha. Ele avançava, ela sorria. Parecia mesmo que o doutor ia dar uma treapada naquela noite. Ia. Entrei na sala e anunciei:

- Enfermeira, vai procurar o que fazer.
- O quê?, ela perguntou, assustada.
- Vai dar banho em alguém, qualquer coisa.

O médico quis bancar o herói, enquanto a enfermeira, tremendo, seguiu minha ordem:
- Quem você pensa que é?
- Você não quer saber. - respondi.
- Eu mando nesse hospital! - ele começava a se alterar.
- Certo. E na sua casa? Você manda? Sabe com quem sua esposa está agora? E sua filha, linda, que tem o quê? Dezesseis? Quinze? Você garante onde elas estão?
- Fica longe da minha família! Eu vou chamar a segurança.
- Não vai! Eu já estou de saída. E você também. Você vai pra sua casa, vai não vai deixar ninguém da família sair, pra não te causar preocupação, e vai dormir uma bela e tranqüila noite de sono, entendeu?
- Eu vou é-
- E amanhã de manhã vai fazer o melhor trabalho que puder. Seja lá o que for fazer. Entendeu? - precisei chegar perto para que ele percebesse que eu falava sério.
- Tudo bem. - ele disse, trêmulo. - Tudo bem.

Saí e voltei para casa.

No dia seguinte minha mãe foi operada. Tudo correu bem. A equipe cirúrgica afirmou nunca ter visto aquele médico trabalhar tão bem.

Ela já está em casa e se recupera rapidamente.


Tyler Bazz

20 comentários:

Jú Carvalho disse...

Isso é real??!
[É marcador Go Tyler Go...deve ser...]
Oh God!
Acho que perdi a parte do bacon...
O segurança era um dos seus... admito, tbm não entendi essa =/!Mas na minha mente isso teve "n" interpretações rs!
E cheguei a conclusão então que cada um tem um Deus, pq eu smepre achei que ele estava ocupado acabando com a minha!
Mas, bom, ri muito com o post, apesar de não ser essencialmente engraçado!

Ah, eu te passei um selo vc viu ??
Lá na postagem das fases musicais...

Marcio Sarge disse...

Parece que deus fez o que faz de melhor, te ferrou. De tabela acertou sua mãe, seus celulares, o médico e a enfermeira gostosinha que foi pra casa ser ser examinada pelo doutor.
até

Paulonando disse...

O ótimo Tyler de volta! Dê um abraço em sua mãe; desejo excelente recuperação. Boas vendas; não perca clientes pois eles são como seus leitores, representam seu patrimônio de negócios.
Parabéns!

Gilgomex™ disse...

Meda...

Andreia Lichtenstein disse...

auhehueauhehuaeu
Nossa, MUITO bom!
Sabe, eu nunca sei até onde as coisas são ficção e até onde são verdade, mas nem me importo. Adoro teu jeito de escrever.
E ah, eu também não sei. Até hoje nunca parei de mudar, mas vai saber.

Jorge Augusto disse...

Simplesmente DEMAIS! :)

Marcello disse...

[i]Enfrentei o trânsito, os vendedores ambulantes, os pregadores de rua, quatro estátuas-vivas, duas gangues de anões - uma delas de anões mancos, um clube de garotos jogadores de rpg, dois otakus e um flanelinha. Cheguei ao hospital por volta das 7.[/i]


E VOCÊ AINDA TEM A CARA-DE-PAU DE DIZER QUE CHEGOU POR VOLTA DAS 7!!!!!! NO MÍNIMO, CHEGOU UMAS 7:35 ... seu atrasado :D

Jôji disse...

Heuheuehuheuheuehueheu!

Gessica Santiago disse...

Confesso ...
Sempre venho aqui mais nunca comento
;x


Gostei da Atitude !!
Nunca vi ninguém fazer isso que tu fez com o médico ...

Melhoras pra sua mãe !!!


Em relação a TIM = MERDA
acredite !
rs

Beijos, ÓTIMO blog !

Gabriel Leite disse...

"- Só posso passar informações para o titular da conta, senhor.
- Certo. Você poderia então, por favor, me passar o telefone da Claro?"
Jogo baixo, hein? Hahahahahahaha
Vou usar também!


Abraço

Perci Carvalho disse...

Uia :S


em algumas situaçoes vc pode ser util hein!?

Marcio Sarge disse...

Cara tô te repassando uns selos que ganhei, quando puder vai lá buscar rs

Até

carla m. disse...

Nossa, perfeito empata foda! Tu não cogitou que depois de dar uma o médico ficasse bem felizinho e pudesse trabalhar bem?!

mas o texto é ótimo, divertidíssimo!

Paulonando disse...

Você fez o Relatório Diário de Vendas de ontem? e de hoje?

FERNANDO disse...

Cara, o que é um otaku?

E agora confessa, Tyler: a enfermeira gostosinha foi pra tua casa e agora está cuidando da sogrinha, não tá?

P.S.: cara, a foto do blogue ficou massa, hein? Tem um puta teor político! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Foi mal aê, mas não esqueço daquele comentário nonsense.

Abraços!

Kel Sodre disse...

Olá.
Sou leitora do Champ e parece que estou para me tornar leitora do Tyler.
Texto muito bom! Divertidíssimo!

Agora, tudo que tem marcador Go Tyler Go é fato "venéreo"? Tô chocada... ;)

Dedinhos Nervosos disse...

Espero que tenha uma melhor sorte em SP!
aahahahha
Bjos!

Favoretto, Thais. disse...

Se eu tivesse a metade da sua competência para ameaçar as pessoas, de certo viveria bem melhor.
Se você tivesse a metade da sua competência para assustar as pessoas comigo, de certo já teria me levado pra cama. hahahaha
Beeijos!

Rob Gordon disse...

Padrinho,

Após ler este texto - e eu deveria ter lido antes – peço desculpas por termos rachado a conta da picanha. Prometo que na próxima eu pago tudo.

Be my friend? Godfather?

P.S. - "Só me fala o número do quarto, que eu vou e ninguém se machuca." Adorei isso. Não vejo a hora de ter problemas com telemkt de novo, pra usar essa frase.

Varotto disse...

Cabra bão! Até o Rob ficou com medo. Mas não bate nele não.
Ele só não pagou a picanha porque ligaram para ele da FNAC dizendo que iam mandar o Troçalhão quebrar as pernas dele (e sabe mais o que) se ele não pagar a conta desse mês.