quarta-feira, 26 de março de 2008

Companhia

Aqui no canto da sala onde fica o pc, aqui onde passo tantas horas. Trabalho, estudo, diversão. Tv ao lado, pc na frente. Nunca sozinho, nunca. Desde que aqui me instalei, sempre recebi visitas noturnas: sobre a mesa, bichos que gostam de luz, de calor; bichos grandes e nojentos que deixam marcas nas paredes quando esmagados. Embaixo da mesa, bichos que gostam do escuro, de sangue; bichos menores, que me fazem inchar as pernas - alergia, alergia - que deixam nas paredes, ou nas pernas, braços e mãos, manchas vermelhas quando os ataco; e que, quando vêm para cima da mesa, são atacados pelo bichos maiores que aqui vivem, que por sua vez são sempre atacados pelas lagartixas, que devem ser atacadas por alguém, mas eu nunca vi. Tirando aquela vez que matei uma.

E foi sempre assim. Vai anoitecendo e eles vão chegando, já fazendo parte da minha noite, da minha rotina. Os bichos nojentos, os pequenos sanguinários, as lagartixas, até os que caem dentro dos meus copos. Já são parte do cenário. Tanto que cheguei a pensar que, se um dia eles deixassem de existir, ou se eu me mudasse daqui, sentiria falta deles, e das manchas nojentas e vermelhas nas paredes e pernas e braços e mãos.

Semana passada choveu, e eu subi, e passei aqui a noite toda, e não vi nenhum bicho sequer. Só quando olhei pela janela e vi um gato no quintal de uma casa aqui perto, mas não conta. Lembrei de quando achei que sentiria falta de todos aqueles animais que comigo habitam aqui e, de verdade: não senti nem um pinguinho de saudades, de ninguém.


Tyler Bazz

10 comentários:

Naiara disse...

Adoro lagartixas, muito! Não as mate, além de engraçadinhas elas também comem todos os outros bichinhos que nos oportunam. Engraçado você dizer que depois da chuva sumiram todos, onde estou morando é ao contrário... aliás... ao contrário até demais.

Até.

Marcello disse...

De fato eu não sinto saudade de bichos... principalmente dos pernilongos :D

Lucimário de Souza disse...

Elétrons velozes me ordam. Um blog pra me fazer seguir em frente. Acho que vou chorar.

SAMANTHA ABREU disse...

ahahahahaa!
aqui no meu quarto eles tbém vem.
mas eu morro de raiva.. e, em alguns casos, de medo!
;D


um beijo

MaxReinert disse...

Pois..... melhor coisa que existe é não sentir saudade de ninguém!!! Eu, ainda, sinto! Pois...


PS: Eu usei a idéia do vidro como algo frágil...muito frágil... Nunca tinha pensado nele como uma coisa impessoal... até porque os objetos de vidro são únicos.... se bem que eu tenho um código de barras tatuado no corpo... não posso ser muito referência pra esse assunto!

Eilahhh disse...

Os bichinhos!!! Então deve ter ficado confuso pq eu fiz no meio de uma aula de Geometria Analítica e tava doidona com aqueles montes de números e vetores pulando na minha frente...

Eu to ficando muito doidona com esse curso, super doidona!!!

Ahhhh mas aqui tb tem bichinhos, mas eu nem olho muito para eles, nem quando eu estou sozinha estudando na escrivaninha do meu quarto... Eles ficam meio longe de mim, mas outro dia apareceram umas picadas no meu braço, acho que eles vêm mais quando eu estou mimindo...

=****

Manda um oi pros bichinhos!!!

Fernando disse...

E aqui em casa? As formigas pagam o IPTU e os bichos-de-luz-branca (não são moscas, mosquitos ou morissocas, então, inventei um nome) o condomínio. Não existe este apartamento sem eles.

E, Tyler, depois de ler isto, me lembrei do Lobão. Por que será? Hehehehehe.

Abraços!

Gabriel Leite disse...

Nossa, você mora aonde? Numa fazenda? rs Mas adorei sua descrição. Como sempre, né Tyler, você é bom nisso!

Deixa eu te perguntar? Você nunca quis escrever um romance não?

[Red Skin] disse...

uahauhau bichos, insetos, coisas nojetas! não sentiria falta deles se sumisse, não só do meu quarto, como do mundo!

abçs
flws

Conquistadores (Didixy) disse...

Ah, insetos e bichos são demais. Curto eles, é interessante e realmente magníficos.

Abs
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