sábado, 10 de novembro de 2007

Paixão.

"Ter 13 anos é fácil." Todo mundo pensava assim. A irmã debutante, os pais recém-grisalhos, o resto da família, os vizinhos, os professores. Menos ela e seus treze anos. E será que ninguém teve treze? Ninguém tinha problemas? O mundo hoje é outro! Ter treze é tão ou mais difícil que ter trinta, ela sabia.

Mas, mesmo com treze, as coisas não estavam tão ruins nesses dias. Sua irmã estava a quinze dias dos quinze anos e atraía todas as atenções do mundo. Os ensaios da valsa começaram, os pares foram escolhidos, e não podia ser melhor.

Quando reparou, já estavam dando voltas pela sala. Ela e o primo, quatro anos mais velho, por quem ela se apaixonou desde... desde... desde que aprendeu o que era isso. E era mais! Era amor! Porque ela podia ter só treze, mas sabia muito bem o que era amor e o que era amar. Enfim, seu amor estava ali, sorrindo e conduzindo a dança. Não, não podia ser melhor.

A cada ensaio ela sorria mais. Ninguém estava tão feliz e ninguém dançava tão bem. Nem a irmã com o namorado; nem os pais com toda a experiência; nem as amigas da irmã que tinham uma dessas festas por mês; ninguém. Ela brilhava, emanando paixão por onde passava entre os braços do primo. Cada vez mais a cada ensaio.

No último ensaio, na véspera da festa, o mundo devia ter acabado. Não acabou. Só para ela. Foi a mãe quem avisou, no canto, longe de todos, que ela trocaria de par, porque o primo estava de namorico com uma amiga da irmã, e de jeito nenhum que iam dançar separados. A mãe virou as costas e ela desabou em choro. Chorou quieta no canto, e chorou durante o último ensaio e primeiro com o novo par, o amigo mais bonito que a irmã podia ter. Chorou à noite antes de dormir, e acordou chorando no dia da festa.

Antes da festa ela chorou. E na festa, durante a valsa, chorou tanto que borrou toda a maquiagem. Olha que linda! Deve estar emocionada pela irmã! E cada um naquele grande salão pensava o que queria de suas lágrimas, que só ela sabia de que eram. Ao fim da dança obrigatória, foi para a mesa, sentou e ficou, ainda chorando um pouco. As músicas da moda começaram, o globo começou a girar, e o primo veio.

"Priminha, vem dançar." E ela inventou um pé doendo. "Eu te levo no colo, hein." E ela inventou um enjôo que não, não ia passar. E durante a festa ele veio e insistiu e chamou e pegou pelo braço, e uma vez até que carregou-a para a pista, mas logo ela voltou e sentou, disfarçando as lágrimas e pondo a culpa no ar-condicionado.

Ficou ali o resto da festa, arrasada. E jurou, por ela mesma e por todo o mundo, que nunca mais ia se apaixonar. Nunca! Porque ela podia ter só treze, mas sabia muito bem como controlar esses sentimentos idiotas.


Tyler Bazz
(Cardigans...)

19 comentários:

Victor the Stranger disse...

Haha, eu conheço essa menina.

Na verdade conheço muitas delas.

Marcello disse...

E tem gente que 10 anos depois continua com essas coisas de 13 anos huaHuAHUHAUhAUHAU ;xxxx


:D

polly disse...

quem nunca se apaixonou por um primo? (euuuuuuu) huahuahu mas conheço varias amigas que sim... é normal... convivencia...muito tempo junto.. tudo influencia...
e nunca mais se apaixonar... acho meio impossivel né.. uhauhauha bom se desse para escolher a pessoa certa...
t+

... Raphael disse...

Todos conhecem alguem do genero ... e como comentado, qual familia não teve alguma resenha com uma prima ! hem !?

Abraço

Thaiane disse...

ela devia abrir os olhos pro amigo da irmã, talvez ele fosse tipo o amor da vida dela. (é, ou não)
mas eu já fui uma menina de 13 anos, acho que no lugar dela choraria rios também :~

gostei de como vc escreve sobre garotas de treze anos, ou de qualquer idade. hahah :*

Morena disse...

Nossa todas as menina s de 13 anos são assim né?!? rsrs
Mas achei seu conto mto bem escrito!
Bom fim de semana

Emanuelle disse...

Adorei seu conto, mas 13 anos é um tanto quanto precoce chorar de amor.
Mas o mundo de hoje é assim...
Essa época de valsa dos 15 anos.. Ai, ai. Que saudade desse tempo.

Kemp disse...

Mas é claro que chora-se de amor com 13... sensibilidade não tem idade...
Gostei muito do conto! Parabéns!
Kemp

Jorge Augusto disse...

Ui!

Vc é fofo... ^^'

Marina disse...

essa menina cresceu e virou a Marcela.

Gilgomex™ disse...

controlar esses sentimentos idiotas é algo que todo mundo faz...

aí passa uns dias, e o sentimento idiota volta.

não é a toa que com 13, 20, 40...
é o sentimento mais FDP q existe...

e sempre vai dominar a todos.

PS: vlw pelas visitas. abraço.

Isadora A. disse...

quero escrever sobre isso também.
to tentando, to tentando...


(mesmo após vc ter revelado sua homossexualidade no meu blog!)

amélia disse...

gostei bastante do texto :)
me fez lembrar das paquerinhas de família :p
haha ;D

SAMANTHA ABREU disse...

o texto é ótimo...
e adorei o "cardigans" no final.



tem coisa nova hoje no Falópio:
Eu e um crime passional
VERSOS DE FALÓPIO
http://versosdefalopio.blogspot.com/

Apareça!

um beijo!

Wagner disse...

faço Geografia na Unesp Rio Claro

e vc? faz onde?

Deisinha Rocha disse...

hum, adorei.
lembrando dos meus treze...

^^
oô fase...

prill disse...

maravilhoso

vou lendo mas... maravilhoso.
o comentário é inútil mas agora já taí.

amélia disse...

cerveja?
hmm, ajuda sim..
sempre ajuda :x
nada como uma boa embriaguez às vezes.. :p
o ruim é o pós-alcool :x
haha :)

Bruno disse...

Bom post. Tudo é tão dramático quando se tem 13 anos...

Abraço, cara